Como calcular o IRS em 2025
O IRS é o imposto sobre o rendimento mais importante para os trabalhadores em Portugal e perceber como se calcula pode ajudar-te a planear melhor as tuas finanças. Neste guia explicamos os escalões vigentes em 2025, as principais deduções e como calcular o teu imposto passo a passo.
O Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) é um tributo progressivo que incide sobre os rendimentos obtidos pelas pessoas singulares residentes em Portugal. O seu carácter progressivo significa que quanto maior o rendimento, maior é a taxa marginal aplicável, tornando-o um dos impostos mais complexos do sistema tributário português.
Para o exercício de 2025, os escalões de IRS em Portugal foram atualizados. O primeiro escalão incide sobre rendimentos até 7.703 euros à taxa de 13%; o segundo, de 7.703 a 11.623 euros, à taxa de 18%; o terceiro, de 11.623 a 16.472 euros, à taxa de 23%; o quarto, de 16.472 a 21.321 euros, à taxa de 26%; o quinto, de 21.321 a 27.146 euros, à taxa de 32,75%; e assim sucessivamente até ao escalão mais elevado, que tributa rendimentos acima de 81.199 euros à taxa máxima de 48%. As taxas são progressivas, pelo que cada escalão apenas se aplica à parte do rendimento que o ultrapassa.
O mínimo de existência é uma proteção fundamental no IRS português. Em 2025, os rendimentos até ao valor do salário mínimo nacional anualizados ficam protegidos de tributação efetiva, garantindo que os contribuintes com rendimentos mais baixos não sofram uma carga fiscal desproporcional. A deducão específica dos rendimentos do trabalho dependente é de 4.462 euros, com um máximo de 4.462 euros, que reduz diretamente o rendimento coletável.
Para calcular o teu IRS passo a passo, começa por determinar o rendimento bruto total, somando todos os rendimentos das diferentes categorias: trabalho dependente (Categoria A), trabalho independente (Categoria B), rendimentos prediais (Categoria F), capitais (Categoria E) e mais-valias (Categoria G). Subtrai as deduções específicas de cada categoria para obter o rendimento coletável.
Sobre o rendimento coletável aplicam-se as taxas progressivas do IRS por escalões, obtendo a coleta total. A esta coleta subtrai-se o benefício correspondente às deduções à coleta: despesas de saúde (até 15% com limite de 1.000 euros), despesas de educação (até 30% com limite de 800 euros), rendas de habitação permanente (até 15% com limite de 502 euros), despesas com lares (até 25% com limite de 403,75 euros) e deduções por dependentes (600 euros por cada filho). O resultado é a coleta líquida, à qual se subtraem as retenções na fonte já efetuadas.
As retenções na fonte são um pagamento por conta do IRS anual. A entidade patronal retém mensalmente um montante estimado de IRS com base nas tabelas de retenção publicadas anualmente pela AT (Autoridade Tributária). Se as retenções efetuadas forem superiores ao IRS apurado, o contribuinte recebe um reembolso; se forem inferiores, terá imposto a pagar.
No Brasil, o equivalente ao IRS é o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). Os escalões brasileiros para 2025 são: isento até 2.824 reais mensais; 7,5% de 2.824,01 a 3.751,05 reais; 15% de 3.751,06 a 4.664,68 reais; 22,5% de 4.664,69 a 6.006,15 reais; e 27,5% acima de 6.006,15 reais. O Brasil tem ainda a isenção anual para rendimentos até 33.888 reais com a faixa isenta ampliada prevista para os próximos anos.
Planear o IRS ao longo do ano pode gerar poupanças significativas. As principais estratégias incluem guardar todas as faturas de saúde, educação e habitação, comunicar as despesas no e-fatura, maximizar as contribuições para planos de poupança-reforma (PPR) que conferem dedução à coleta, e verificar se tens direito a benefícios fiscais específicos da tua situação pessoal e profissional.